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Deserto alentejano

É a lógica que todos sabemos de que nos locais onde a população é mais envelhecida existe uma maior tendência a existirem mais mortes. Mas isso faz-se mesmo notar quando se visitam as aldeias alentejanas.

Ao longo do ano tenho vindo várias vezes ao Alentejo passar uns fins-de-semana, umas férias ou uns dias isolados de descanso e ao vir para uma aldeia assim mais isolada costumo ir sempre aos mesmos locais tomar café, comprar o pão e por aí fora. De cada vez que cá venho oiço sempre histórias de que alguém morreu e que vai ser o seu funeral.

É um facto, em locais como este em que a população é mais envelhecida que nos grandes centros urbanos, existe uma maior tendência para estas coisas acontecerem, mas é praticamente sempre certo que quando cá estou existem sempre funerais. O Alentejo daqui a uns anos vai estar mesmo deserto, isto nas aldeias, porque quem cresce nestes locais foge assim que pode para as vilas ou cidades para não se sentir tão isolado do mundo.

Num local que poderá ter mais de mil habitantes agora, daqui a uns tempos não vai ter mais que quinhentos. Existem os que morrem, os que vão estudar e já não voltam, os que emigram e os que saem destes lugares cada vez mais desertos em busca de uma vida citadina. Estou em Vila Nova da Baronia a escrever este texto e mesmo de porta aberta, há horas que não passa por aqui ninguém.

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