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«Ela que use roupa decente»

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Andava a vaguear pelas redes sociais quando me fixei numa partilha da Joana Azevedo, uma das principais animadoras das tardes da Rádio Comercial, onde se podia ler o que se segue. «A Catarina Furtado disse, a certa altura no nosso podcast, que também tinha sido assediada em contexto profissional. Comentário de ouro lá no FB, de uma mulher: “ela que use roupa decente”. Bem-vindos a Portugal.».

É sobre esta partilha que me apetece falar! O comentário que uma mulher faz sobre o modo de estar de outra reflete a realidade aos olhos de muitas mentes pequenas e retrogadas. Em pleno século XXI pergunto-me como é que as pessoas ainda conseguem afirmar que as mulheres é que têm de se recatar através do seu modo de vestir e de estar na vida para que não provoquem comportamentos menos próprios no sexo masculino? Será possível existirem mulheres que ainda culpam outras que se gostam de arranjar e de serem assim as responsáveis por sofrerem de assédio sexual? Este tipo de pensamento já devia estar tão nos anos 70 que hoje parece algo pré-histórico. O que se entende é que para muitas falsas puritanas uma mulher bonita, com o corpo definido e que chame a atenção de qualquer pessoa tem de se disfarçar de ogre para que os homens não olhem sequer. Parece-me que as pensadoras de outros tempos continuam a achar que a culpa nesta problemática está sempre do lado feminino e não nos senhores babados que não respeitam quem está do outro lado. 

Ou seja, as mulheres têm de se voltar a meter em casa, de pano na mão e esfregona na outra, com as janelas fechadas e as saídas minimas à rua onde os trajes têm de conter uma saia a limpar o chão, camisolas de gola alta, lenço a esconder o cabelo, nada de maquilhagem na cara e perfumes bem longe. Certas mulheres perante outras mulheres que se destacam tendem em afirmar que o assédio e os comentários menos bons por parte dos homens para com esses alvos só acontecem exclusivamente por culpa dessas senhoras que pelos vistos não vestem roupas decentes e ainda se pintam para provocarem a ala masculina da sociedade. 

Pelos vistos e por este tipo de raciocínio, o assédio e talvez a violação seja normal para quem acha que se a mulher provoca é porque quer ter «festa». Poupem-nos estes raciocínios de que a culpa está do lado delas e que os homens ao se sentirem provocados acabam por reagir da pior forma. Uma atualização social parece fazer falta a muito boa gente que nos dias que correm continuam a distribuir cartadas onde o mofo se faz sentir. 

Certamente e uma vez mais digo, que a ala feminina não se consegue defender a si própria, mostrando sim o contrário, neste caso que as mulheres é que são as culpadas por várias situações negativas acontecerem porque pelos vistos provocam e depois não há quem lhes resista. Felizmente que estas pequenas mentes mundanas não existem em grande quantidade, certo é que ainda resistem nos dias que correm!

 

6 Comentários

  • Este é somente um exemplo do que acontece. Quantas vezes as famosas não falam destes temas por receberem comentários menos próprios nas suas contas nas redes sociais de outras mulheres, acusando-as de tudo. Muitas vezes entendo estes comentários como um ato de inveja alheia.
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    Psicogata

    01.02.18

    Inveja, desdém, maldade e ignorância, a inveja não justifica tudo.
  • Sabes bem como é o mulherio para com a inveja alheia perante as outras.
  • Imagem de perfil

    Psicogata

    01.02.18

    Sei, assim como sei como são os homens quando desejam, mas não têm hipóteses nem de chegar perto, a combinação desses dois comportamentos juntamente com uma mentalidade do século passado dão origem a esse tipo de comentários parvos por parte de mulheres e homens.
  • Nem mais! É certo que muitos homens ao verem uma mulher com um decote generoso e um corpo meramente perfeito, para o ideal de cada um, por vezes esticam-se um pouco, no entanto e como o tango algo mais tem de ser feito a dois e com o querer de ambos. Se existe assédio? Existe, mas na maioria dos casos só passa disso quando do outro lado dão troco ou sequer alguma hipótese para algo mais.
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