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Pensamentos que podem ser de qualquer um!

02
Mar19

Luto | Pessoal ou Social?!

O Informador

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As discussões sobre o luto são uma constante quando por perto alguém parte para outra vida, para quem acredita que a mesma exista. O que é o luto afinal para além das vestes escuras que os mais velhos ainda tendem a usar como sinal de respeito que do meu ponto de vista não passam de pensamentos mantidos por uma sociedade que se auto recrimina se nos tempos após a morte de alguém não se vestirem com tons escuros ou mesmo de negro?!

O luto está no interior da pessoa, nos pensamentos e sentimentos que são mantidos quando se fica sem alguém que nos é querido. Existe assim uma verdadeira necessidade, através do vestuário, para se mostrar aos outros o que se sente através das vestimenta negra? Se alguém parte qual é a necessidade de quem fica de se carregar de escuro para mostrar aos outros, porque para mim é só mesmo isso que acontece, uma demonstração social de peso, de que está triste e tem de deixar de vestir roupas coloridas porque a base da solidão e da partida é o escuro. E ai de quem numa aldeia pequena não se vista a rigor de luto que leva logo com as críticas. Isto é a verdade, nas aldeias deste país, talvez mais no interior até, quem perde um ente-querido tem de se vestir de escuro a bem da sua comunhão com os que ficam, já que caso contrário quem fica torna-se uma «viúva alegre» ou «um filho desleixado» por não respeitar a alma de quem partiu.

Onde é que numa peça de vestuário se vê o que está na verdade no coração de alguém que ficou sem o seu par ou familiar? O luto está no interior de cada um e não na demonstração para os outros. Vivam as vossas vidas sem esses pensamentos de recriminação de uma sociedade hipócrita que ainda acredita que é necessário demonstrar a tristeza com cores quando cada um sabe de si e tem no seu interior os verdadeiros motivos perante a perda. 

Não se fazem lutos de demonstração e para que os outros vejam. Os sentimentos estão no interior de cada um e não é de todo necessário demonstrar e deixar de fazer uma vida normal só porque os outros vão achar mal. Não defendo estas teorias antigas e preocupações sobre o que os outros pensam mas infelizmente ainda vivemos numa comunhão social que em tudo vê um mal maior por desrespeito a quem parte. 

 

4 Comentários

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    O Informador

    04.03.19

    Respeito que passa sobretudo pelas atitudes da pessoa e não pela forma como se apresenta em sociedade.
  • Imagem de perfil

    P. P.

    04.03.19

    Eu diria, "respeito pela pessoa em luto". Sim, porque este, pelo menos do que senti na minha escola, é praticamente nulo. Tão nulo que arrependi-me do meu regresso à escola, onde pretendia distrair-me com os miúdos, e volvidos 2 dias, retomei a baixa médica. Já quando o meu pai morreu, deixei de dormir. Após o seu falecimento, pela parte de muitos, eu estaria ótimo pois já não me deparava com uma pessoa em decomposição e num sofrimento atroz. Além de assim não ter acontecido, esqueceram que mantinha-me a "trabalhar" com a demência da minha avó, para a qual ninguém nada nos ensina e com as consequências psicológicas do cancro da minha mãe, um ano antes do diagnosticado ao meu pai. Agora sei, uma vez que voava da escola para casa, por forma a cuidar/alimentar a minha avó e a minha mãe rumava aos HUC, para junto do meu pai, e ao deparar-me com as últimas semanas de vida do meu pai, dos atos e práticas médicas que prefiro não abordar, senti culpa durante anos.
    Com a avó, o luto foi algo mais tranquilo, apesar do quanto sofreu no último mês. Toquei no corpo, ajudei, deixei que se soltassem as lágrimas sempre que a minha mãe não estava a ver (sim, temos que ser fortes perante os doentes oncológicos). Fui "partido" para a escola. Prefiro nem referir a atitude de alguns colegas. Esta vergonha de/para com a minha profissão… Um exemplo simples, o meu diretor sempre envia, a todos os funcionários da escola, um e-mail a dar conta da morte de um familiar e da realização das cerimónias fúnebres. Apenas dei conhecimento à minha delegada de grupo, salvo seja, porque estou "emprestado" naquele grupo. Esta, nada deu a saber. É algo simples, bem sei, e na verdade, ainda bem que só tive a presença das colegas de quem gosto, dado terem lido algo que escrevi. Mas doeu. Uma sensação de objeto, como se não fosse professor (eu que até tenho mais do que um curso. Eu que dei anos da minha vida para cuidar dos meus). Porém, um cuidador informal não o é para ter uma medalha. Trata-se da nossa consciência, dos nossos valores, dos nossos afetos.
    Relativamente à cor usada no luto, por aqui existe um pouco de tudo. Obrigatoriedade não. Porém, a minha mãe que sempre disse que só usaria preto pela mãe, uma vez que detestava a cor, passou a usá-la com a morte do meu pai e não tem sido fácil introduzir um cor aqui ou ali. Faz parte do processo dela, o qual tenho de respeitar. Por exemplo, só passados 3 anos da morte dele consegui colocar-lhe uma cor no cabelo. Nela há muitos lutos ainda não finalizados. Tudo começou com a morte do meu irmão, ainda bebé, portador de deficiência. Volvidos 46 anos, ainda recorda todas as etapas, todos os momentos…
    Uma certeza, não há lutos iguais. Outra, a falta de consideração e respeito por quem devia dar o exemplo.
  • Imagem de perfil

    O Informador

    05.03.19

    Nas pessoas mais velhas o normal em luto ainda é o isolamento em muitos casos e o recurso ao preto. Já nas gerações mais novas só mesmo quem ainda tem na ideia o que os outros pensam é que levam a cor ao limite quando alguém próximo parte.

    Já percebi com o tempo que és pessoa que gosta que os outros estejam atentos ao que vais passando para te darem força. Já eu sou um pouco o contrário, gosto que me deixem para que passe as situações de sofrimento e perda mais sozinho. No dia seguinte é dentro do possível seguir em frente e até tento que nem me falem no assunto.
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