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O Informador

O silêncio de Sousa Tavares

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Miguel Sousa Tavares, em entrevista à revista Visão, afirmou estar prestes a deixar o jornalismo. Revelando que nas próximas semanas irá entregar a sua carteira de jornalista, o comentador da TVI irá dedicar-se a partir do final do mês à escrita, deixando assim também o seu espaço no noticiário da noite do canal, que entretanto também assumirá uma nova dinâmica, uma vez que está a ser preparado o lançamento da CNN Portugal para substituir a TVI24 no canal 7 do cabo, existindo a partir de então também alterações na informação da TVI generalista. 

45 anos após o início da sua carreira como jornalista, Sousa Tavares fechará assim um ciclo, numa altura em que tem sido criticado pelas suas entrevistas a políticos, inclusivamente a que foi feita ao primeiro-ministro António Costa recentemente num espaço que se seguiu ao Jornal das 8. Afirmando que deixa o seu espaço sem que as criticas a essa mesma entrevista tenham pesado, Sousa Tavares afirmou na entrevista à Visão que «Nunca mais faço uma entrevista na vida. A ninguém», acrescentando que «entrego a minha carteira profissional de jornalista e deixo de fazer jornalismo. Vou continuar a ter a minha coluna de opinião no Expresso – isso, para mim, não é jornalismo – mas acabaram as reportagens, as entrevistas, isso tudo. Ponto final.». O jornalista revela que terá na escrita o seu principal modo de vida, afirmando ainda estar desiludido com o jornalismo que se pratica atualmente em Portugal. 

Se Miguel Sousa Tavares está desiludido com o que se tem feito nos últimos tempos com o jornalismo, o que terão os seus colegas a dizer sobre as suas deselegantes palavras e forma de interpelar as pessoas quando as mesmas aceitam serem entrevistas por si? Arrogância e sem deixar espaço para opiniões contrárias são uma constante nas presenças que Sousa Tavares tem feito, não aceitando que o outro revele ideias contrárias, seguindo linhas de pensamento antiquadas e defendendo o que diz ser cultural com a dor de animais através de espetáculos tauromáquicos, querendo convencer uma sociedade moderna que aquele crime é o bom que Portugal tem. Sim Tavares, estava mais que na hora de abandonares o comentário político com todo o absurdo que tem sido dito e feito nos últimos anos.

Como romancista gosto do trabalho de Miguel Sousa Tavares, no entanto como jornalista a caminho do fim tem deixado muito a desejar na interpretação e pela forma como avança no comentário e entrevistas contra todos como se a sua opinião e visão fossem a certeza absoluta sem existir espaço para a diferença, o que começa a interferir na visão que tenho de um bom autor.

E eu que não sou de intrigas até vou mais longe e acredito mesmo que a direção da CNN Portugal terá mesmo dispensado Miguel Sousa Tavares por não existir espaço para o senhor jornalista/comentador pela falta de bom senso que tem demonstrado com o tempo no novo projeto informativo da Media Capital. A justificação foi outra mas acaba por não deixar a ideia com que fiquei com esta saída de cena. 

Visão Miguel Sousa Tavares

3 Comentários

  • As pessoas com identidade própria e que pensam por si estão a desaparecer sim dos meios de comunicação social, mas existirá espaço para se poder dizer tudo o que se quer para não se ser cancelado com determinados temas? O universo da Media Capital acaba por cancelar duas figuras que causam algum mal estar junto das novas gerações de pensadores que não podem aceitar tudo o que é dito por estes rostos de forma alegre por se perceber que nos dias que correm existem como que regras definidas em sociedade para se seguir a igualdade e respeitar o próximo. Miguel Sousa Tavares e mais recentemente Quintino Aires têm ido longe demais com as suas aparições televisivas, se o podiam fazer? Sim, porque todos queremos ser livres, mas deveremos defender o que é totalmente questionável nos dias que correm?
  • Entendo o que diz, mas estamos, uma vez mais, perante a insanável controvérsia dos limites da liberdade de expressão.
    Ando há tempos a preparar um pequeno ensaio sobre as minorias - genericamente, e não apenas sobre as minorias étnicas e o chamado 'género feminino' que, por acaso, até maioritário - em que procuro refletir sobre esta questão. Mas a matéria é tão densa, que já tenho as meninges a arder e ainda não cheguei a um texto que me dê alguma satisfação.
    Deixe-me referir-lhe uma frase da procuradora Maria José Morgado, em entrevista ao programa "Por Outro Lado", da RTP, vinte anos atrás: "A única maneira de defender a liberdade é limitar a liberdade de cada um".
    Como conciliar isto com a liberdade de expressão, é algo que muito ainda irá dar que falar.
    Se quiser ver a entrevista, tenho um 'link' em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2021/09/por-outro-lado.html
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