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Pandemia que tranca portas

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Cheguei a casa perto do momento do horário de recolher obrigatório, estacionei na adjacente da rua onde habito, desliguei o motor e fiquei a olhar em diante, entendendo que numa avenida de aldeia onde dia e noite sempre ia existindo movimento, com ou sem viatura, tudo naquele momento noturno parecia deserto, como se todas aquelas ruas e mesmo casas estivessem abandonadas num mundo ao estilo da mítica série The Walking Dead. 

Refleti por rápidos momentos na diferença, com um ano, entre o mesmo espaço e as mesmas pessoas, antes e após uma pandemia nos afetar e transformar pequenos pormenores em momentos distantes. A desvalorização que era atribuída a grandes feitos individuais e que agora são tão essenciais para que o discernimento pessoal continue a resistir a quedas sucessivas em depressões, afastamentos e ruturas. 

Chega a arrepiar percorrer cada estrada, passar ao lado de candeeiros e canteiros, portões e gatos que dormem pelos muros e perceber que o silêncio da rua é uma pura reflexão do que se passa dentro de cada casa onde parecemos como que semi presos nas nossas próprias vidas, na maioria dos casos sem quintal e mesmo sem varandas. Todos seguimos uma linha de pesar, tristeza e medo, fechados em casa, precisando de entoar de novo aquele grito de liberdade e não o poder fazer enquanto um malvado vírus não for retraído e levado a ser convidado a fazer o seu percurso inverso.

 

10 Comentários

  • Sempre leio muito. Neste momento estou na leitura número trinta e seis de 2020. Em ano normais até cheguei a ler mais, mas com a Netflix e seus semelhantes a disputarem atenções com a literatura, nem sempre se consegue chegar a tudo.
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    Fernanda

    27.11.20

    36livros num ano de pandemia é muita coisa lida. Pois, acredito de que tenhas outras actividades que te preenchem, isso é normal em toda a gente. Continuação de boas leituras para ti,
  • 36 ate foi um numero mais baixo que nos últimos anos, mas os horários e outros afazeres assim o ajudaram. Estive três meses de pausa mas não foi por isso que consegui ler mais, infelizmente.
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    Fernanda

    06.12.20

    Eu entendo a tua situação e compreendo o teu ponto de vista, há mesmo gente louca por livros, não leves a mal mas nunca consegui perceber porque as pessoas gastam tanto dinheiro a comprar livros, peço desculpas por isso.
  • O gasto em livros é tal e qual quem compras videojogos, por exemplo. Pior que isto seria gastar dinheiro em álcool e tabaco que só faz mal ou até mesmo drogas. Os livros sempre me transmitem algo de bom...
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    Fernanda

    06.12.20

    Nunca fui fã de comprar cds nem livros nem jogos nem nada disso, apenas compro as utilidades do dia-a-dia mas, numa coisa, concordo contigo, é muito pior quem gasta dinheiro em tabaco, álcool ou drogas e mais de metade da população do planeta terra comete esse triste acto, como dizes, os livros trazem-te coisas boas, isto se gostares da leitura do dito livro.
  • Bom ou mau é sempre bom perceber os diferentes estilos literários, mesmo para se perceber o caminho literário que não se deve seguir no futuro até como escritor de pequenos textos.
  • Sem imagem de perfil

    Fernanda

    07.12.20

    Tens razão e pelo simples facto de teres um blogue em que escreves diariamente, tens que tomar atenção às coisas que escreves, desejo-te boas leituras e boa escrita!!
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