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O Informador

15
Mai20

Sob Céus Vermelhos | Karoline Kan

Quetzal Editores

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Título: Sob Céus Vermelhos

Título Original: Under Red Skies

Autor: Karoline Kan

Editora: Quetzal Editores

Edição: 1ª Edição

Lançamento: Março de 2020

Páginas: 304

ISBN: 978-989-722-465-2

Classificação: 5 em 5

 

Sinopse: Muito na linha de Cisnes Selvagens, de Jung Chang, mas tendo como objeto a China das novas gerações, este é um relato não ficcional e na primeira pessoa, com digressões para o passado (político e familiar) e a observação das múltiplas vertentes sociais e culturais da história moderna da China, em constante mudança. 

Karoline Kan está na vanguarda dessa mudança: nasceu em 1989, como segunda filha - ainda durante a vigência da Política do Filho Único - numa China rural. Chegou ao ensino superior e conquistou a autonomia económica sem ter de se casar e fazendo o trabalho que escolheu: escrever para revistas e jornais de prestígio internacional. As grandes referências de Karoline Kan são Jung Chang, Xinran e Xiaolu Guo - todas elas autoras publicadas pela Quetzal.

 

Opinião: Sob Céus Vermelhos é um retrato de uma jovem millennial perante a vida familiar das últimas gerações. Nascida na época do 04 de Junho, o massacre da Praça Tienanmen, e passando parte da sua infância em duas pequenas vilas até que conseguiu uma mudança para a cidade e posteriormente para Pequim, onde atingiu a sua liberdade com a entrada para a universidade. Num grande testemunho sobre a política e cultura chinesas ao longo de gerações, com todas as alterações comportamentais que se foram sucedendo. Nesta narrativa o leitor é convidado a fazer uma viagem real e intimista pela história familiar de Karoline Kan, o nome que Chaoqun adotou, enquanto viaja pelos costumes ocidentais.

Logo de início senti grande empatia com o modo como tudo é relatado. As várias questões que se foram levantando ao longo dos tempos são mencionadas nesta narrativa de forma crítica, como é o caso da política do filho único, perante a qual Chaoqun passou por ser a segunda filha do casal, para mais menina, tendo sido paga uma coima após o seu nascimento e sempre ser considerada como uma "criança negra", por não ser bem-vinda. Os abortos na segunda gravidez quando já existia um menino eram obrigatórios e tudo era vigiado através de um sistema de planeamento familiar. Com dois filhos, e sendo o mais novo uma menina, a família ficava mal vista perante a sociedade, ajudando na decisão deste núcleo a mudar-se da vila para a cidade com as perspetivas também de uma mudança económica. Chegados à cidade era considerados migrantes com vários pontos de marginalização, existindo uma grande discriminação na altura entre quem sempre viveu na cidade e quem surgia das aldeias na busca de novos lugares e empregos. 

Neste retrato social de décadas existe espaço para muitos outros temas, tal como a religião proibida porque a lei do governo é a base. A morte em que um dos pares falecendo ficar em cinzas em espera que o seu cônjuge parta para voltarem a estar juntos. O envio de dinheiro como forma de ajuda entre familiares, mesmo que distantes para a ajuda das cerimónias fúnebres. Estes são alguns dos destaques deste livro de outros tempos. Já no presente o interesse continua pelo mesmo patamar por existir o debate entre a internacionalização, os empregos, a língua e os relacionamentos intercontinentais e também geracionais. 

Sob Céus Vermelhos é daqueles livros bem explicativos, relatado de forma direta e com bastante informação sobre a comunidade chinesa, dando o exemplo familiar mas ao mesmo tempo tocando em vários pontos fortes que influenciaram o caminho que as várias gerações trilharam com base nas obrigações impostas por um estado controlador. Fiquei verdadeiramente surpreendido com esta leitura que além de me fornecer informações importantes e bem descritas ainda conseguiu aproximar-me enquanto leitor por perceber a força e vontade de mostrar o desagrado da autora em palavras para serem partilhadas com todos nós de forma valiosa. Nem todos nascem com a liberdade ambicionada e as vozes que se fazem ouvir como demonstração de desagrado são sempre bem-vindas para a evolução da sociedade. 

 

 

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